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ARMÊNIA
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DISTORÇÕES DA VERDADE: ALEGAÇÕES DO EMBAIXADOR TURCO ERSIN ERÇIN (pubicadas na Coluna “Tendências e Debates”, do Jornal Folha de São Paulo, de 17/04/2012 – pág. A-3)
Na concepção negacionista do governo
turco que tenta distorcer a verdade dos fatos com alegações infundadas,
como diz: “realmente trágicos eventos de 1915”, promovidos
por ordens emanadas pelo governo turco otomano de então, não são como
afirma: em “meias verdades, preconceitos e documentos falsificados”,
por grupos de nacionalistas da diáspora Armênia. Não há grupos, mas
há Comunidades da Diáspora, que não “tentam impor uma memória
unilateral”, são o produto do Genocídio, oriundo de longo
sofrimento dos armênios e outras minorias, vítimas do Império Otomano,
de acontecimentos que remontam aos anos de 1894 a l896, em que ocorreram
horrendos massacres de armênios perpetrados pelo então Governo Imperial
do sanguinário Sultão ABDUL HAMID (alcunhado de Sultão Vermelho).
Os turcos ainda armaram os kurdos e os lançaram contra os armênios. Com
a deposição do Senhor Embaixador não foi por acaso a existência da diáspora do povo armênio. Porque sairiam de suas terras para regiões inóspitas? Senhor Embaixador veja as “Memórias de Naim Bey para Aram Andonian”, relato fiel de um cidadão turco, oficial, Secretário Geral das Deportações de armênios em 1915/1916, o qual entregou suas memórias para o intelectual armênio Aram Andonian”. A Diáspora Armênia e o povo da Armênia fundamentam suas alegações, não fazendo, como afirma S. Exª. em “publicações tendenciosas e distorcidas, mas baseadas nos fatos e testemunhos documentais e pessoais de autoridades estrangeiras e dos sobreviventes que viveram e sentiram o inferno do genocídio. As frases manipuladas e as ridículas afirmações de inverdades que repugnam a consciência humana de que “os registros otomanos demonstram claramente que o Governo Otomano deu ordens para garantir a segurança das pessoas que estavam sendo realocadas (para a morte)”. Senhor Embaixador que segurança é essa que resultou no genocídio de 1.500.000 de vítimas da barbárie turca de então? Ora, Senhor Embaixador não há argumentos forjados que possam anular a verdade dos fatos, fartamente comprovada em forma documental e testemunhal, não só dos sobreviventes como, também, de inúmeras autoridades civis, militares e diplomáticas de diversos países que expressaram a hediondez do genocídio. O grande escritor e arqueólogo francês JACQUES Jean Marie de MORGAN indignado chegou a um extremo tal em dizer que: “Não há no mundo um idioma rico com palavras tão coloridas que possam descrever as horripilantes e dramáticas cenas de horrores, sofrimentos e agonias a que foram submetidos os armênios, aos padecimentos físicos e morais de tão inocentes mártires. Os que escaparam dos terríveis massacres, todos testemunhos da morte de seus entes queridos, foram concentrados em determinados lugares e submetidos a torturas indescritíveis e humilhações tais que preferiram a morte” O jornalista HERMANO ALVES, na edição do “Jornal da Tarde” de 26/09/1981 (pág. 08), escreveu: “A política de dispersão, perseguição e massacre dos armênios, executada de modo deliberado pela Turquia, antes e depois da Primeira Guerra Mundial, pode ser classificada, com propriedade, de GENOCÍDIO”. Estamos chegando ao Centenário do Genocídio Armênio, não há mais lugar para os debates acadêmicos pretendidos que levem mais cem (100) anos, em divagações estéreis, improdutivas e protelatórias para fatos comprovados e cristalinos do genocídio. HRANT DINK, cidadão turco de origem armênia, assassinado há 5 anos, bem como, o Prêmio Nobel de Literatura, o turco ORHAN PAMUK, foram acusados de “insultar a identidade turca” e condenados por transgressão do famigerado art. 301 do Código Penal Turco, que penaliza “quem denigre a identidade turca”, por publicar comentários sobre o genocídio armênio. ORHAN PAMUK expressou em suas obras a verdade histórica dos fatos e crimes de lesa-humanidade praticado pelos seus antepassados, quando afirmou em fevereiro de 2005, em entrevista ao jornal suíço “Tages Angriger” que “Um milhão e meio de armênios e 30 mil curdos foram assassinados nesta terra (Turquia) e ninguém, exceto eu ousa falar disso”. Igualmente fora processada pela Justiça Turca a escritora ELIF SHAFAK por mencionar em seu livro: “O Bastardo de Istambul”, o genocídio turco contra os armênios. O famigerado Art. 301 do C.P. turco é uma imposição autoritária e retrógrada de uma legislação que não respeita os Direitos Humanos, tanto que a União Européia (EU) exigiu da Turquia, em diversas oportunidades, a derrogação desse artigo, um empecilho para a liberdade de expressão, uma restrição que compromete o Estado de Direito. O escritor e ativista turco dos Direitos Humanos na Turquia Regip ZARAKOLU foi preso e, em carta dirigida a seu advogado, expressou que: “Minha prisão e acusação de associação de uma organização ilegal (Direitos Humanos) são partes de uma campanha que visa a intimidar todos os intelectuais e democratas da Turquia e, particularmente, para privar os curdos de apoio”. Não movemos campanha de ódio, como quer fazer crer o mencionado artigo. Queremos que seja feita justiça, que o governo turco reconheça o genocídio praticado pelos seus antepassados (como já faz grande parte do povo e intelectuais turcos) . A Turquia atual, herdeira do Império Otomano, que matou, que usurpou os territórios armênios, tem o dever de RECONHECER o genocídio praticado pelos seus antepassados, como a Alemanha o fez com Israel para que a paz e a justiça almejadas venham a reinar, irmanando os dois povos. |
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