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OBAMA DIZ TER USADO “GENOCÍDIO” PARA NEGOCIAR O ACORDOO silêncio ensurdecedor de Erevan depois do anúncio do “roadmap” da semana passada continua a alimentar a especulação sobre possíveis pré-condições ligadas ao acordo e sobre o fato que o acordo teria sido a razão de o presidente trair sua promessa eleitoral. O documento semi-oficial publicado no “Economic Intelligence Unit” declara que: “A Turquia parece ter sido motivada a adotar uma posição inédita diante da iminência de o Presidente Barack Obama reconhecer formalmente como “Genocídio” os acontecimentos de 1915. A posição do Presidente Obama nessa questão é clara: ele concorda com a versão armênia mas declara-se disposto a não dizê-lo publicamente se isso ajudar a normalizar as relações armeno-turcas”. Num relatório publicado no diário turco “Hurriyet” no dia 30 de abril, fontes anônimas afirmam que houve “uma ameaça implícita” de Obama utilizar a palavra “Genocídio” em sua declaração de 24 de abril. E que essa “ameaça” teria sido decisiva para cortar o nó górdio das bloqueadas relações entre a Turquia e a Armênia. “Hurriyet” esclarece que essa mesma “ameaça” teria sido usada pelo Presidente Obama em 7 de abril no seu encontro com Recep Erdogan, Primeiro Ministro turco, e novamente mais tarde pelos negociadores norte-americanos sublinhando a exigência de que o acordo armeno-turco fosse divulgado antes de 24 de abril. Ainda segundo o mesmo jornal turco: “o acordo foi concluído no dia 22 de abril depois de prolongadas negociações tanto em Erevan como em Ancara sob a mediação de oficiais norte-americanos. Matt Bryza, Vice-secretário do Estado, manteve conversações maratonianas de 13 horas com autoridades armênias em Erevan, enquanto negociações paralelas tinham lugar em Ancara entre o embaixador norte-americano James Jeffrey e o Vice-ministro do Exterior turco Ertugrul Apakan. Durante essas conversações o lado turco insistiu em que se falasse também do problema do Karabagh pedindo especificamente que o lado armênio evacuasse cinco das sete provín-cias azerbaijanas ocupadas pela Armênia. Os armênios teriam recusado ceder nesse ponto. A Turquia somente aceitou o pacote depois de ter sido feito claro que a falta de um acordo levaria Obama a usar a palavra “Genocídio”. Enquanto isso a revista britânica “The Economist” publica um artigo em que afirma que “subentende-se que o acordo engaja as duas partes a estabele-cerem relações diplomáticas, a abrirem gradualmente suas fronteiras e a criarem uma comissão histórica que estude o massacre dos armênios no Império Otomano em 1915”. Se Obama decidiu a barganhar para obter o acordo – acordo que, no final das contas, certamente beneficiará os interesses norte-americanos na região – sua promessa na campanha eleitoral que sensibilizou a inteira comunidade armênia não foi mais do que uma farsa, e ele devia ser responsabilizado por isso especialmente quando se entoaram tantos louvores em seu favor pelos seus primeiros cem dias de governo. Outro elemento problemático é que a imprensa turca e ocidental deixam claro que há pré-condições vinculadas ao assim chamado “roadmap”. Infelizmente nada ouvimos de convincente da parte das autoridades armênias rejeitando tais hipotéticas pré-condições. Ocorre, porém, que diante das afirmações em “Hurriyet”, no “The Economist” e, igualmente no “New York Times”, o governo armênio tem o dever de manifestar sua posição perante o público. O porta-voz do Ministério do Exterior armênio afirma continuamente que as suas decisões não são ditadas por relatórios na imprensa. Todavia, a experiência nos mostra que possivelmente esses relatórios jornalísticos não estão longe da verdade e portanto, se não for o caso, que o governo armênio prove o contrário antes que seja muito tarde.
Ará Khachatourian
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Palavras em guerra:Verdade sobre genocídio armênio
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