A Instituição Educacional Melkonian à Venda

Por Haygachen Uzunian
 


(Nota: Devido à importância do assunto, apresentamos aos nossos leitores o artigo - parte 1 - acima intitulado, que foi publicado no semanário "The Armenian Reporter" em 28/02/04, editado em idioma inglês em Paramus, NJ., EE.UU.) 

Num comunicado datado de 14/11/03, a União Geral Armênia de Beneficência informava que as notícias espalhadas quanto à venda propriamete dita da Instituição Educacional Melkonian - (doravante chamada de IEM - N.R.) eram falsas e infundadas. A intenção da referida mensagem era: "Não se deve dar atenção a essas informações; foi decidido a venda do patrimônio da IEM". Gordon Anderson, um americano, foi enviado para Chipre com este propósito. Tendo usufruído a hospitalidade da IEM por meses, será que ele manteve encontros com empreiteiras de construção e agentes imobiliários apenas para que a Diretoria Central pudesse divulgar ao mundo que "o patrimônio de Melkonian não estava à venda" ?

Qualquer um apenas daria risada desta jogada deplorável do Conselho Central, que está levando adiante todos os preparativos para fechar a IEM, e mesmo assim, através de anúncios contraditórios mutuamente contraditórios, tenta confundir as pessoas. Todavia, ninguém se engana por essa estratégia, e todos já sabem o resultado do fim do filme que está sendo produzido. 
Os que pretendem participar da proposta, podem submeter suas ofertas ao Sr. Anderson em envelopes lacrados, a fim de que ele, em parceria com as altas autoridades absolutas, possa classificar e fazer a decisão de liquidação, baseado num acordo lógico.

Por meses, o Conselho Central manteve o povão ansioso, os pais dos alunos da IEM e os membros da UGAB chafurdados num estado de indecisão, fazendo com que esses pais tomassem as medidas para colocar seus filhos em outras instituições educacionais para o próximo ano letivo. Dessa forma, a IEM está sendo evacuada, tal qual ocorreu durante o presente ano letivo. Enquanto isso, as conhecidas autoridades que estão no Conselho Central dizem aos pais e ao povo em geral: "Vejam, não há alunos. O quê podemos fazer? Somos obrigados a fechar a IEM".

Agora, no entanto, o refrão tem mudado. Diz-se que "a IEM não está mais servindo seu propósito; logo, a divisão do pensionato será fechada, mas a divisão de intercâmbio de alunos continuará aberta". Que lógica interessante e convincente! Com a graça de Deus e as orações fervorosas das partes responsáveis, os alunos de intercâmbio descerão do céu para fazer a IEM florescer e constituir um número suficiente, para que então tenhamos uma IEM de alunos do intercâmbio. Nosso povo, incluindo aí os membros da UGAB, tem sido tratado como se não pudesse ouvir, ler, ser consciente e quem sabe mais o quê, para que tal pensamento amargo seja recheado em sua mente. 
Mas não, esta explanação é uma declaração usada de forma figurativa, que diz: "O patrimônio de Melkonian será vendido. Não importa o que vocês dizem, não importa o que vocês escrevem, não importa o quanto vocês choram e gritam contra essa mudança, nós temos decidido a vendê-lo. E vocês sabem o que vamos fazer com o lucro? Não precisamos dizer-lhes, do mesmo modo que não demos importância às suas irrupções ao não publicarmos o orçamento da IEM, considerado como assunto exclusivo da política da UGAB. Quem disse que a UGAB é uma casa de vidro transparente?"

De um dia a outro, surgem novas razões para o fechamento da IEM. Agora, a ênfase é colocada na queda dos padrões gerais da IEM, particularmente o que se concerne aos assuntos de Armenologia, apesar de ter sido isso uma das razões iniciais, junto a outras explanações.

Não posso asseverar neste aspecto, apesar do fato de o conteúdo entusiástico que se é manifestado periodicamente aos que estão interessados na escola IEM. Entretanto, se há efetivamente uma queda nos padrões, ou constrangimentos orçamentários, a causa disso é somente o Conselho Central da UGAB, uma vez que ela indicou a dirigente da escola há oito anos, dando-lhe poderes excepcionais, submetendo os curadores da IEM que haviam se reunido vindo de centros espalhados em todas as partes do mundo a um comitê inconseqüente.

O Conselho Central, cujos membros moram na área metropolitana de Nova York e estão desinformados sobre as condições e necessidades do Oriente Médio, quiseram julgar a IEM sob critério americano, sem jamais investigar o que estava acontecendo dentro da IEM, no aspecto pedagógico e financeiro. 
Antes de 1995, a IEM, durante seus quase 80 anos de existência, sempre tivera um Conselho de Curadores que era constituído de pessoas sérias e determinadas, escolhidas da própria ilha do Chipre. Esses membros da curadoria, diuturnamente acompanhavam os assuntos financeiros e educacionais da IEM. Possuindo uma consciência nacional, eles reviam e estudavam com seriedade todos os assuntos apresentados, junto com o responsável da escola, dando atenção detalhada para a atribuição acadêmica da IEM, assim como assegurando o melhoramento fiscal num grau aceitável. O que se esperava que o Conselho Curador constituído depois de 1995 realizasse, escolhido fora de Chipre, não seguiu o curso regular do dia-a-dia da IEM nem manifestou seu ponto de vista sobre as providências tomadas ou a serem tomadas, pois não lhe era permitido fazer isso. O Conselho dos Curadores não pôde, ou não teve o direito de indagar sobre as decisões tomadas dentro da IEM. Por outro lado, o Conselho Central da UGAB, deslumbrado pela quantia que podia resultar a venda do patrimônio da IEM, permitiu que a escola continuasse seu caminho rumo à dissolução através dos anos, para que um dia, com a nítida consciência, chegasse a fechar a IEM e vender a propriedade, citando como motivo disso a situação indesejável criada.

Fala-se sobre pagamentos de custos educativos desproporcionais, cujo nível se diz sequer existir nos Estados Unidos; fala-se sobre a presença de um quadro de pessoal supérfluo na IEM; fala-se de esforços exagerados pela inovação; fala-se de arranjos de viagens extravagantes. Se o Conselho Central tivesse dado liberdade total para o novo responsável, por quê este jamais investigou as condições financeiras e educacionais da EIM? Neste aspecto, a causa da queda dos padrões da IEM não seria a irresponsável indiferença do Conselho Central? O Conselho Central não tem o direito de criticar qualquer um; ele, por si só, é o responsável pela situação atual e deve assumir, conscientemente, as conseqüências pela situação criada, ao invés de tirar vantagem disso, para fechar a IEM.

A parte responsável pelos todos os motivos adiantados pelo Conselho Central não é outro senão o próprio Conselho Central, porque foi ele quem preparou esta situação através de anos de planejamento, e hoje, nosso povo, em particular aqueles que se interessam pela IEM, podem ver com muita clareza esses movimentos planejados, tal como o Conselho Central não deveria considerar estas pessoas serem imaturas, ingênuas e desinformadas. Todos sabem quem está procurando o quê. Todos sabem que a propriedade será vendida, exceto se alguns paladinos da venda, comovidos pelo remorso nacional e a lógica de evitar densas acusações futuras, rescindam suas decisões de venda dessa propriedade.

O veredicto da história da Diáspora Armênia para cada membro do Conselho Central será penosa, devido ao golpe mortal perpetrado por eles aos nossos enormes sacrifícios e nossos esforços pela auto-preservação nacional. A história não corrige tais erros irremediáveis.

Como é ridículo anunciar que a propriedade da IEM não será vendido! Quando a divisão do internato fechar, é evidente que a divisão dos alunos de intercâmbio não só será fechada imediatamente, como também sequer terá uma existência primitiva, visto que uma propriedade de aproximadamente US$ 80 milhões não pode ser mantida para 30 ou 40 alunos, nem o Conselho Central manterá um patrimônio de uns US$ 80 milhões como um monumento aos Irmãos Melkonian. Todos sabem muito bem onde irá o lucro proveniente dessa venda, como ela será dissolvida. No mundo de hoje, não existem mais otários ou pessoas ingênuas o suficiente para indagar aonde irá o montante do dinheiro resultante de decisões não anunciadas. Porquê o Conselho Central não anuncia seus planos subseqüentes? Se ainda não há algum plano elaborado, isso deve ser traçado e somente depois fechada a IEM. Somos da opinião de que a liderança do Conselho Central conhece este modus operandi elementar. Uso a palavra "liderança", porque sei que nem todos os membros do Conselho Central estão interessados neste fundamental assunto nacional, e eles aceitam a decisão de alguns membros como a verdade do Evangelho. 
O Conselho Central ainda está tentando convencer aos que estão no seu círculo que, quem está causando dificuldade é um pequeno grupo. Mas há aí um erro grotesco: existe um grande número de pessoas insatisfeitas, pessoas que estão contra o fechamento da IEM - não só os alunos da Melkonian, mas também em todas as esferas da UGAB, sem exceção, e em nosso povo, onde quer que ele se encontre.

Se esses senhores pensam que aqueles que defendem a continuação da IEM perfaz um grupo reduzido, então por quê o Conselho Central não emite um circular, pedindo a opinião dos círculos Ugabianos? Este seria a maneira legítima e própria de fazer a coisa, se é que se respeita o ponto-de-vista dos próprios associados! No entanto, parece não ser este o caso; os líderes do Conselho Central estão sempre contra à idéia de ouvir a voz da maioria, porque eles ficam petrificados pela voz da maioria que, indubitavelmente, porá em desvantagem o seu modus operandi, e eles tremem em vista dessa afirmação.

Ninguém do Conselho Central sabe bem a importância da IEM para nossos compatriotas em vários países do Oriente Médio (Síria, Líbano, os Estados do Golfo, Irã), assim como os países do Leste Europeu e os Bálcãs. A IEM é extremamente relevante para estes países, em termos da preservação da identidade nacional e que ultrapassa qualquer outra consideração. Ouvindo seus apelos severos, é possível declarar, com cautela responsável e zelo meticuloso, bem como preocupados pelo nosso bem-estar nacional que, nossos compatriotas nestes países precisam da Instituição Educacional Melkonian tanto quanto a sua necessidade de "pão e água".

Nesta nova fase de assuntos internacionais e armênios, A Instituição Educaocinal Melkonian é uma necessidade vital para nossa nação. O fechamento da IEM pelo Conselho Central é uma medida errônea; será o passo mais trágico feito pela UGAB, que causará muito prejuízo para nossa nação, e os que regem a política atual do Conselho Central serão sujeitos a severas acusações pelo nosso povo no percurso da história. Nossa história os condenará, avaliando de forma semelhante a atitude deles. Todas as razões que são apresentadas por eles são incorretas. Eles simplesmente tornaram-se cegos perante o valor material da IEM. Mas quando eles realmente forem ver o verdadeiro valor da propriedade da IEM, aí eles perceberão como erraram ao extremo em seus cálculos, e foram desiludidos por aqueles que desejavam raptar o patrimônio de seu domínio. Estão errados, por não prever que uma parte significativa deste pedaço de terra, através de lei municipal, deve ser designado para parque público. Isso foi traçado no plano de cadastro, desde quando a primeira veda parcial fosse efetuada. Outra parte significativa da propriedade deve ser destinada para a abertura de estrada. O a sede do Conselho local da UGAB, que foi construído com recursos financeiros desse distrito, usa a entrada da IEM. Caso essa propriedade seja vendida, a área que compreende desde a estrada principal até a divisa leste deve ser entregue à Sede, para que a sucursal local da UGAB tenha uma entrada. 
Há, além disso, a questão dos impostos a serem recolhidos na época da venda, principalmente se levarmos em consideração que o governo se opõe ao fechamento da IEM. O imposto proveniente da venda é de 25%. Logo, ao se levar em consideração todos estes aspectos da venda, surge um panorama diferente diante dos cálculos do Conselho Central.

De acordo com os Regulamentos da UGAB, não se pode desviar um legado de seus objetivos, se existe a viabilidade de sua execução. Atualmente, o testamento da Melkonian é aplicável, e ela conta com as seguintes rendas: 

a) A IEM recebe US$ 550 mil anualmente da propriedade construída sobre seu terreno; 
b) O governo prometeu contribuir com US$ 200 mil (100 mil Libras Cipriotas) anualmente no orçamento da IEM; m
c) O governo paga anualmente US$ 2.500 (1200 Libras Cipriotas) para cada um dos 50 alunos cipriotas, perfazendo um total de US$ 100 mil; 
d) O governo fornece três professores para a escola, pagando aproximadamente US$ 100 mil; 
e) O governo planeja reformar os campos de futebol, tênis, basquete e vôlei da IEM, fazendo-os ficarem à altura dos padrões internacionais. Depois de ficarem prontos, esses campos e suas dependências trarão lucros significativos para a IEM; 
f) Se o Fundo Melkonian, que dispõe de aproximadamente US$ 6.5 milhões fosse devidamente administrado, poderia trazer um rendimento de US$ 250 mil.

Como se vê, as receitas acima mencionadas garantem à IEM aproximadamente US$ 1.2 milhões. Se forem somados a esse total os valores recebidos dos alunos e mais as bolsas de estudo distribuídos por benfeitores, então onde fica o déficit orçamentário da IEM? Se este quadro não é correto, então que o Conselho Central publique o orçamento executivo da IEM. 
Nossa sugestão é de se buscar um segundo núcleo lucrativo da propriedade da IEM, e parte de seu lucro poderia ser usada para pagar o débito da instituição junto aos bancos, enquanto a outra parte poderia ser destinada para o orçamento da IEM. Após liquidar todo o empréstimo bancário, todo o lucro proveniente do aluguel ficaria destinado à IEM.

O Conselho Central declara que a IEM pode acomodar 350 alunos, mas não há aluno suficiente. Trata-se de um decréscimo no número de matrículas dos estudantes, de responsabilidade do Conselho Central, que adotou aumentos anuais nas mensalidades escolares, conscientemente, mesmo sabendo das condições financeiras dos alunos provenientes da Europa Oriental ou do Oriente Médio, para não citar a Armênia. É evidente que as matrículas sofressem uma redução desse jeito, o que levaria a IEM para a situação prevista que pudesse justificar a razão de seu fechamento.

Deveria ser a obrigação do Conselho Central criar condições financeiras favoráveis para esses alunos; aí sim, ver-se-ia que os recursos da IEM não foram suficientes para atender todos os pedidos. Existe, ainda, uma outra objeção quanto à manutenção das portas da IEM abertas. Diz-se que os alunos provenientes da Armênia, ao invés de voltarem à sua pátria, preferem ir aos Estados Unidos ou permanecer na Europa. Há algo tão inoportuno nisso? Será que a Armênia realmente necessita da presença desses jovens com uma educação étnica armênia, a fim de estimular a preservação nacional? Por quê não supor que eles estariam sendo mais úteis nas comunidades da Diáspora Armênia, do ponto de vista de contribuírem aos nossos esforços na preservação da identidade armênia. O fato é o mesmo com os alunos oriundos da região dos Bálcãs. Se alguns deles vão para os Estados Unidos ou qualquer outro lugar, eles não estariam contribuindo aos esforços dessas comunidades, também pela preservação os valores nacionais? Hoje, quem está na vanguarda do movimento pela preservação nacional nas comunidades citadas?

É este Conselho Central da UGAB, com todas as razões que apresenta para o fechamento da IEM. Nenhum deles é justificável e convincente ao nosso povo. Todos nós sabemos que esse corpo está visando apenas o valor do patrimônio da Melkonian, deseja obter essa soma de uma forma ou outra, sem declarar de que maneira esse montante será utilizado, e quer anunciar, um dia, que a fortuna da UGAB aumentou por (?) milhões de dólares, durante sua gestão.

Nesta ocasião, pode se declarar que a porcentagem maior dos legados da UGAB foi recebida da Oriente Médio e da Europa. Hoje, não só meras migalhas estão sendo dadas para essas regiões, como também as mesmas estão sendo privadas de suas fortalezas de auto-defesa. Isso não é apropriado, e pode causar reações.

Se o padrão de ensino da IEM havia enfraquecido, através da irresponsabilidade do Conselho Central, isso e tudo o mais pode ser melhorado - se houver boa vontade - através de um Conselho Curador dos armênios de Chipre, constituído de membros novos e capazes, que assumiria a responsabilidade pela qualidade da IEM e o seu status financeiro. 
Na qualidade de um firme convicto e com décadas de serviços prestados à UGAB, apelo para cada e qualquer um dos senhores, mais uma vez, com um sentimento de grande responsabilidade, para reexaminarem essa decisão e, com a coragem de todos os nossos presidentes anteriores, retenham-se de tomar tal decisão que está dessecando a nação - o fechamento da IEM, porque isso provocará a dissolução e desmoralizará todos as esferas da UGAB e seus próprios associados. Apelem ao nosso povo com coragem, dizendo que foi decidido efetuar ampla campanha de arrecadação de fundos, a fim de resgatar todo trabalho educacional da IEM, tal qual todos os nossos presidentes fizeram quando semelhante demanda surgia.

E um detalhe final: vocês, que participaram da Assembléia Geral de Los Angeles, surpreenderam ao tomarem a medida de transformar a UGAB num Fundo de Capitais. Esse não foi um ato correto e apropriado, porque muitos daqueles que estiveram presentes, provavelmente não entenderam o que estava sendo proposto para eles votarem, e assim eles levantaram as mãos para votar, sem saber a posição perigosa e destruidora em que colocavam a UGAB. O método adequado para mudar os Estatutos deveria ter sido o envio das propostas de mudança para as filiais com meses de antecedência, para que cada seccional pudesse estudá-las e, baseados nos estudos realizados, chegar-se à Assembléia Geral e manifestar seus pontos-de-vista. Nesse caso, certamente os delegados não teriam aprovado essa mudança porque, em primeiro lugar, como resultado dessa mudança no Estatuto, os membros ficariam privados do seu direito elementar - o de nomear os membros do Conselho Central - e, em segundo lugar, por meio desse processo, a UGAB perdeu seu perfil nacional - o Conselho Central se rompeu dos seus membros. E agora, fortalecido por tal decisão, outro passo errôneo dissolverá totalmente a organização e, tal como nosso rei Artavazt II, dir-se-á que o novo presidente e seus seguidores governarão sobre as cinzas. Portanto, a situação é muito séria, e requer coragem para tomar a decisão correta.